Cleuson Massa
O equilíbrio necessário
Jeremy Bentham e John Stuart MillFelicidade Coletiva vs. Direitos Individuais
O equilíbrio necessário
Por Cleusson Massa*
Hoje, vamos conversar sobre a "filosofia utilitarista" e como suas ideias ajudaram o pensamento social.
Agora vejamos, em todo tempo, tomamos decisões constantemente: desde o que consumir até em quem votar. Mas qual régua usamos para medir o que é "certo"? Para os filósofos utilitaristas, a resposta é prática: a melhor escolha é aquela que gera o maior saldo de bem-estar para o maior número de pessoas.
O movimento ganhou força com o inglês Jeremy Bentham, que propôs uma espécie de "matemática moral". Para ele, deveríamos somar os prazeres e subtrair as dores de uma ação; se o resultado fosse positivo, a ação era boa. Seu sucessor, John Stuart Mill, refinou a ideia, lembrando que nem todo prazer é igual. Para Mill, os prazeres intelectuais e a liberdade individual eram fundamentais, pois uma sociedade sem liberdade jamais seria verdadeiramente feliz.
Pode parecer abstrato, mas essa lógica desenha o mundo real. Ela está presente na Saúde Pública, quando hospitais priorizam atendimentos com maior chance de salvar vidas em emergências, ou na Economia, ao defender que impostos devem financiar serviços básicos para a maioria, reduzindo o sofrimento social. Ela não é perfeita, e nem é esse o produto final, todas as correntes filosóficas existem para na sua essência chegarmos ao melhor " bem" possível.
Apesar de sua lógica atraente, o utilitarismo enfrenta críticas severas. O maior medo é que, em nome da "felicidade da maioria", os direitos de indivíduos ou minorias sejam atropelados. Afinal, uma decisão pode ser considerada ética se a alegria de muitos depende da injustiça contra poucos? Esse dilema mostra que o utilitarismo funciona melhor quando caminha de mãos dadas com a Justiça, garantindo que o cálculo do bem comum não se torne uma ferramenta de opressão.
Ou seja, concluir que o utilitarismo é uma fórmula perfeita seria ignorar sua maior fragilidade: o risco de que a conta do progresso seja paga com o sacrifício de direitos fundamentais. No entanto, ele permanece como uma bússola essencial. O desafio moderno não é escolher entre a coletividade ou o indivíduo, mas equilibrar ambos, usando a filosofia para sair da nossa própria bolha e perguntar, honestamente, como nossas escolhas impactam a vida do próximo.
*Cleuson Massa é licenciado em Filosofia e TPA.



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