A Origem do Samba
Berço do Samba, Quilombola Pedra do Sal/OGlobo
"A Origem do Samba”
Por Leonardo Farias Torres*
Nesse artigo venho saudar a “Origem do Samba”. Música e letra do professor e historiador quilombola, o compositor Luiz Torres, herdeiro do meu avô Neném da Favela. Re-fundador em 1989 e Compositor super campeão de minha escola do coração ARES Vizinha Faladeira.
Com essa obra ele concorreu no IV Festival de música autoral – Canta Carioca. Depois de algumas eliminatórias, entre os meses de março e abril. Na disputa, Luiz Torres levou sua canção à grande final. Evento que ocorreu no Teatro Arthur da Távora, no bairro da Tijuca, onde o próprio compositor na voz, acompanhado pelo violonista nascido e criado no Morro da Favela, seu irmão de espírito, Elias Sobrinho, defenderam a canção.
Suspeito eu sou para falar desse grande compositor carioca brasileiro, herdeiro inspirado, como os bambas do passado, fonte de inspiração do quilombo portuário e do samba da favela, na composição e criatividade sofisticada nas melodias e letras profundamente poéticas, por ser o mesmo meu tio.
Sobre o samba de sua autoria apresentado no festival, citado acima, tenho uma história para relatar:
a “Origem do Samba” é parte de uma seleção de outras canções. Na maioria sambas que integram o texto teatral/musical/documentário “do porto do santo e do samba - uma história brasileira sobre um quilombo e sobre a favela”. De sua autoria, que ele busca apresentar assim que for possível e com verba suficiente para um projeto de um quilombola incipiente na dramaturgia, mas cascudo no empenho as letras e do tempo vivido.
Outra composição a ser citada, desse herdeiro quilombola da família Nascimento Torres (da qual faço parte): “Africabaianacarioca”. Consta parte integrante artística do relatório histórico/antropológico de 2008, para o Quilombo Pedra do Sal. Desenvolvido pedido do INCRA, autarquia do estado brasileiro, a notórios pesquisadores da história e da antropologia de alta graduação do departamento de Ciências Humanas da Universidade Federal Fluminense; que na pesquisa apresentou veracidade à formação e continuidade de defesa pelo estado brasileiro da Comunidade Remanescente do Quilombo Pedra do Sal.
A Pequena África, dita e eternizada pelas falas do grande artista plástico e sambista da gênese do nosso passado afrodescendente, Heitor dos Prazeres, foi revisitada por novos representantes da comunidade negra do porto do samba e do santo; protagonistas pretos nos primeiros anos do século XXI do legado do nosso povo. Onde sob a herança de ancestralidade da memória africana se constituiu uma disputa de narrativas de conceitos sobre ser ou não quilombo, e que vingou no embate Quilombolas versus VOT (Venerável Ordem Terceira da Penitência, dita detentora do território na região do porto).
Essa peleja entre esses dois agentes na região do porto com base nas formas acadêmicas e de memória do povo preto pontuou uma luta entre o anão e o gigante, usando uma parábola bíblica. Inaugurando novas perspectivas de resistência na Pequena África pelos modernos quilombolas quando a chamam de “AFRICABAIANACARIOCA”, sem perder ou tirar brilho da Pequena África do passado. Ela, ícone indiscutível matriz de nossas raízes porque assim disse o sambista pioneiro, Heitor dos Prazeres.
Aqui, ensaio uma polêmica, criada pelo meu tio, Luiz Torres, para os que estudam o tema da Pequena África. Heitor via esse território afrodescendente, lá pelos ares da antiga Praça Onze e o contemplava como um todo, partindo dali, apesar da divisão que a linha férrea da central traduzia; e os quilombolas modernos, da Saúde, veem pelas fronteiras da primeira Favela e da Pedra do Sal, dentro de uma nova narrativa estratégica do debate político e jurídico do território de Marinha (citado em anais da história) ser titulado e ser um quilombo.
*músico compositor, hoje diretor musical da Associação Recreativa Escola de Samba Vizinha Faladeira
Link: "Origem do samba" https://www.youtube.com/watch?v=UzlwrwDdpSc






COMENTÁRIOS