Dra. Núbia Moreira
Doença renal
Doença Renal Crônica
Doença renal: o que é, quais os sintomas e por que ela pode passar despercebida
Por Dra. Núbia Moreira*
Os rins podem perder parte de sua capacidade de funcionamento sem causar dor ou sinais claros. Por isso, conhecer os fatores de risco e realizar exames simples é fundamental para descobrir a doença precocemente.
Quando pensamos nos rins, geralmente lembramos apenas da produção de urina. Mas esses órgãos fazem muito mais do que isso.
Os rins funcionam como grandes filtros do nosso organismo. Eles ajudam a retirar do sangue as substâncias que não são mais utilizadas, eliminam o excesso de água e participam do controle da pressão arterial. Também colaboram para manter equilibrados minerais importantes, como sódio e potássio, além de produzir hormônios relacionados à formação do sangue e à saúde dos ossos.
Por isso, quando os rins não estão funcionando adequadamente, diferentes partes do corpo podem ser afetadas.
O que é a doença renal crônica?
A doença renal crônica acontece quando existe alguma alteração na estrutura ou no funcionamento dos rins que permanece por três meses ou mais.
Essa alteração pode aparecer como uma redução da capacidade dos rins de filtrar o sangue, mas também pode ser identificada pela presença de proteína na urina, por alterações em exames de imagem ou por outros sinais de lesão renal.
Isso significa que uma pessoa pode ter doença renal mesmo quando a creatinina ainda parece “normal”. Por esse motivo, a avaliação dos rins não deve depender de apenas um resultado isolado. Os principais exames utilizados são a creatinina no sangue, com o cálculo da taxa de filtração glomerular, e o exame de urina, especialmente a pesquisa de albumina ou proteína.
Por que a doença renal pode passar despercebida?
A doença renal crônica é frequentemente chamada de doença silenciosa porque, nas fases iniciais, geralmente não causa sintomas claros.
Os rins possuem uma grande capacidade de adaptação. Mesmo quando uma parte de sua função já foi perdida, o organismo pode continuar trabalhando sem que a pessoa perceba algo diferente.
Além disso, os rins não precisam parar completamente de funcionar para estarem doentes. Uma pessoa pode continuar urinando normalmente e, ainda assim, apresentar perda da função renal. Produzir urina não significa, necessariamente, que os rins estejam filtrando o sangue de maneira adequada.
É justamente por isso que esperar o surgimento de sintomas pode atrasar o diagnóstico. Muitas pessoas descobrem a doença durante exames de rotina ou quando ela já se encontra em uma fase mais avançada.
Quais sintomas podem aparecer?
Quando a função dos rins diminui de forma mais importante, alguns sinais podem surgir. Entre eles estão:
● cansaço e fraqueza;
● inchaço nos pés, tornozelos, pernas ou ao redor dos olhos;
● pressão arterial elevada ou difícil de controlar;
● diminuição do apetite;
● náuseas ou vômitos;
● coceira pelo corpo;
● cãibras;
● dificuldade de concentração;
● alterações na quantidade, na aparência ou na frequência da urina;
● urina com muita espuma ou presença de sangue;
● falta de ar, principalmente quando existe acúmulo de líquido.
Esses sintomas não aparecem obrigatoriamente em todas as pessoas e também podem ocorrer em outras doenças. Portanto, não são suficientes para confirmar um problema renal. A investigação deve ser feita por meio de avaliação médica e exames.
Quem apresenta maior risco?
Qualquer pessoa pode desenvolver uma doença nos rins, mas alguns grupos precisam de atenção especial.
O risco é maior em pessoas com:
● pressão alta;
● diabetes;
● obesidade;
● doenças do coração ou dos vasos sanguíneos;
● histórico de doença renal na família;
● idade mais avançada;
● episódios anteriores de lesão renal;
● doenças autoimunes;
● alterações urinárias recorrentes;
● uso frequente de medicamentos que podem prejudicar os rins.
A hipertensão e o diabetes estão entre as principais causas de doença renal crônica. Essas condições podem danificar lentamente os pequenos vasos responsáveis pela filtração do sangue. Quando não são acompanhadas adequadamente, o problema pode avançar durante anos sem produzir sintomas.
Também é importante ter cuidado com a automedicação, especialmente com o uso repetido de anti-inflamatórios. Esses medicamentos podem reduzir a circulação de sangue nos rins e aumentar o risco de lesão renal, principalmente em idosos, pessoas desidratadas ou pacientes que já apresentam alguma alteração da função dos rins.
Como descobrir a doença antes dos sintomas?
A melhor forma de identificar precocemente uma alteração renal é realizar exames simples.
A creatinina, medida em um exame de sangue, é utilizada para calcular a taxa de filtração glomerular, uma estimativa de quanto os rins conseguem filtrar.
Já o exame de urina ajuda a identificar sangue, proteínas e outras alterações. Em pessoas com diabetes, hipertensão ou outros fatores de risco, também é importante pesquisar a presença de albumina na urina.
Dependendo do caso, o médico pode solicitar ultrassonografia dos rins e das vias urinárias ou exames complementares.
Um único exame alterado nem sempre significa doença renal crônica. Em geral, é necessário confirmar se a alteração permanece ao longo do tempo e investigar sua causa.
Descobrir cedo pode mudar o futuro dos rins?
Descobrir cedo pode mudar o futuro dos rins?
Receber o diagnóstico de uma doença renal não significa que a pessoa precisará fazer diálise.
Na maioria das vezes, existe um longo caminho entre as primeiras alterações e os estágios mais avançados. Quando o problema é identificado precocemente, é
possível tratar a causa, controlar a pressão arterial e o diabetes, revisar medicamentos, reduzir a perda de proteína pela urina e adotar medidas que protejam os rins.
O acompanhamento adequado pode diminuir a velocidade de perda da função renal e, em muitos casos, evitar ou adiar por muitos anos a necessidade de diálise.
Por isso, não devemos esperar o rim “dar sinais” para começar a cuidar dele. Quem tem fatores de risco deve conversar com seu médico sobre a avaliação da função renal, mesmo que esteja se sentindo bem.
Os rins podem adoecer em silêncio. Os exames conseguem falar antes que os sintomas apareçam.
*Dra. Núbia de F. Moreira - Médica nefrologista — CRM-DF 17.970 - NEFROconecta: @nefroconecta | (61) 99875-2020 | nefroconecta@gmail.com



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