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Teressa Fernandes

AMORES IMPERFEITOS

Teressa Fernandes
AMORES IMPERFEITOS

AMORES IMPERFEITOS

Onde e quando aprendemos a amar, a conhecer o amor? Não foi o primeiro amor da adolescência como pensamos e sim o amor da mãe. Aquela pessoa que cuidou e traduziu o mundo para nós, interpretou os choros tratando de entendê-los. Todas as nossas formas de amar serão reedições da maneira como fomos amados pela mãe. Algo desse amor infantil retornará sempre inconscientemente nas nossas relações.

O amor na forma que nos é familiar quase sempre é construído no binômio dar para receber algo em troca. Um amor condição. Se eu dou x vou receber x. Mas nem sempre é assim, por que o amor pode gerar desencontros, o que é óbvio para um pode não ser óbvio para o outro.

Nele estamos sempre esperando uma reciprocidade, um encontro. Muitas vezes amamos aquele que não nos ama, quando na verdade necessitamos não ser amados fortalecendo uma imagem onde nos reconhecemos como não merecedores do amor do outro.

Isso quer dizer que não existe a outra metade da laranja, a alma gêmea?

Trata-se de um ideal de fantasia que temos com relação ao amor romântico. O amor romântico quase sempre é uma aposta, naquilo que ainda não conhecemos. Mas ele não elimina as contradições que fazem parte de nossa condição humana. A escritora Clarice Lispector já havia escrito "Por que eu fazia do amor um cálculo errado, pensava que somando as compreensões, eu amava. Não sabia que somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente." No desencontro também existe amor. Quando o amor inicia, sempre pensamos ser algo inédito "comecei a amar comecei a me apaixonar, agora sim eu vou ser feliz, agora eu vou ser amada e respeitada da forma que eu quero." As consequências desse pensamento nem sempre são boas. Muitas vezes aquele amor que se acredita ser incondicional volta cheio de condições.

Depois que formos dois com o outro não conseguiremos mais ser um.

É comum se ouvir "Nossa mas como assim, ele virou uma outra pessoa". Ele virou uma outra pessoa ou não víamos quem realmente ele ou ela era a partir dos desencontros que surgiram? O que almejamos sempre é a completude perfeita. Quais seriam então as condições para amar alguém e ser amado? Condições não só para o amor romântico, mas para o amor pelo pai, pelo irmão, para amar qualquer pessoa. Seria um modo de fazer laços com o outro e aceitar rupturas. Quebrando o ideal de fantasias que temos de completude. A impossibilidade do encontro o amor não elimina, sempre ficará faltando algo. Sempre haverá algo que o outro não poderá suprir.




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