Nem Queiroz

Crônica

Nem Queiroz
Crônica Cazuza - Leblon (RJ)

Fico em casa indisposto para sair, na verdade desgostoso da vida e das pessoas que não mais me apraz, sei que será perda de tempo (o que já é) só de pensar com uma vã esperança que valerá a pena procurar por alguém sabendo que é mera ilusão. Então opto por ficar em casa, ligo a tv, desligo a tv, ligo rádio, pego um livro, me distraio com um gato que mia lá fora, abro a janela, ele me olha assustado e corre. Volto para o sofá, levanto e vou a cozinha, abro a geladeira, bebo água gelada na boca da garrafa que é só minha, pego umas uvas, volto pra sala, desligo o som, volto com a leitura mas não consigo me concentrar, pego o celular e de repente já se passaram três ou quatro horas, a coluna dói, os olhos ardem, me livro do celular e procuro um filme para assistir, passam-se 15 minutos e já é o bastante para eu pensar que poderia haver algum recado para mim nas redes sociais, pauso o filme, demoro tanto que a imagem some, continuo ao celular procurando algo que possa justificar tanta dedicação a um aparelho que só me faz perder tempo. Desligo a tv, enfio o celular no bolso e saio. Na rua observo as pessoas na mesma meditação que eu minutos atrás.  Procuro alguém com quem eu possa conversar, até aparece, mas em questão de minutos já estamos todos vidrados na tela do telefone. Resmungo comigo mesmo arrependido de ter saído de casa. Pessoas conversam coisas desinteressantes, papo raso, preenchendo o vazio que elas fingem não perceber. Uma cerveja aqui, um cigarro ali, um tira gosto pra disfarçar, alguma piada pra animar, um jogo de futebol pra distrair e a mesmice de sempre imperando entre nós que não ligamos para nada disso enquanto as horas passam e o cansaço se aproxima. Até nos darmos por satisfeitos e pagar a conta, dividir, melhor dizendo, e cada um para o seu lar, entorpecidos de álcool, muito embora não bêbados, pois aprendemos a lidar com esse vício, senão pelo pouco poder aquisitivo, ou mais porque já não faz tanto efeito assim a bebida consumida. Porém, como um entorpecente, nos deixa alto o suficiente para não esquecermos o caminho de volta pra casa. Satisfeitos, viramos a chave na porta da frente e de volta ao nosso ninho nos banhamos e nos apressamos a dormir porque amanhã... Zzzzzzzz.... só roncos é o que se ouve agora.



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