Dólar abre abaixo de R$ 5 com foco em negociações de cessar-fogo no Oriente Médio

Depois de fechar abaixo de R$ 5 pela primeira vez em 2 anos ontem, o dólar abre nesta terça-feira (14) com investidores atento aos novos desdobramentos da guerra no Irã, com um possível cessar-fogo e novas negociações de acordo. Por volta das 9h01, a moeda americana operava em queda de 0,41%, a R$ 4,9762. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
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▶️ Após fracasso nas negociações com o Irã, novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reverteram o humor dos investidores ontem. Trump afirmou que recebeu uma ligação das "pessoas certas do Irã" e que elas "querem muito fechar um acordo".
▶️Nesta terça, embaixadores do Líbano e de Israel nos EUA vão se reunir no Departamento de Estado dos EUA, em Washington, para iniciar negociações de um possível cessar-fogo entre os dois países. O fim do conflito no Líbano é um dos pontos centrais na discussão de acordo entre EUA, Israel e Irã.
▶️Depois dos novos desdobramentos, o preço do petróleo voltou a cair.
🛢️ O tipo Brent, referência global, caía 0,32% por volta das 8h47, negociado a US$ 99,04 por barril. Já o WTI (West Texas Intermediate), usado como referência nos EUA, recuava 1,80%, a US$ 97,30
▶️ No Brasil, a preocupação é o impacto da guerra nos preços de combustíveis. O bloqueio do Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (13) voltou a preocupar analistas do mercado financeiro, diante dos possíveis efeitos nos preços do petróleo e de eventuais riscos para os combustíveis no Brasil.
▶️Na agenda econômica, os destaques são os dados do setor de serviços em fevereiro no Brasil, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e o índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), indicador de inflação ao produtor nos EUA.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
💲Dólar
a
Acumulado da semana: -0,29%;
Acumulado do mês: -3,51%;
Acumulado do ano: -8,96%.
📈Ibovespa
Acumulado da semana: +0,34%;
Acumulado do mês: +5,62%;
Acumulado do ano: +22,89%.
Bloqueio naval ao estreito de Ormuz
Após um cessar-fogo cambaleante entre Estados Unidos e Irã na semana passada, Donald Trump prometeu implantar um bloqueio naval no Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira.
Segundo o Exército dos EUA, qualquer navio que entrar ou sair de um porto no Irã será interceptado. Em resposta, o Irã afirmou que poderá retaliar portos caso a medida seja efetivada.
Por causa da tensão, apenas poucos navios ligados ao Irã saíram do Golfo Pérsico, e o movimento na área caiu bastante. Ao mesmo tempo, há risco de conflito, já que o Irã avisou que pode reagir.
Mesmo com o bloqueio, os EUA disseram que não vão impedir a passagem de navios que não tenham relação com o Irã. Ainda assim, a incerteza já está afetando o transporte e o mercado de petróleo.
Rússia, China e União Europeia criticaram tanto o Irã quanto os EUA pela obstrução da rota. Em meio ao risco de uma nova escalada militar, o preço do petróleo voltou a subir.
No fim de semana, negociações consideradas históricas no Paquistão entre EUA e Irã terminaram sem acordo. O vice-presidente americano, JD Vance, deixou o país após afirmar que as tratativas foram encerradas na madrugada de domingo (sábado no Brasil), após a recusa de Teerã em aceitar os termos de Washington para não desenvolver uma arma nuclear.
As conversas de "alto nível" duraram 21 horas e, segundo Vance, ocorreram com ele em contato constante com Donald Trump e outros integrantes do governo.
Vance afirmou a jornalistas que Washington precisa de um compromisso claro de que o Irã não buscará desenvolver uma arma nuclear nem os meios que permitiriam obtê-la rapidamente.
Já na tarde desta segunda Trump disse que recebeu uma ligação das "pessoas certas do Irã" e que elas "querem muito fechar um acordo".
A jornalistas, Trump disse que seu governo foi procurado para negociar o fim à guerra, mas que Teerã não concordou com sua exigência do país "não possuir armas nucleares". Afirmou que os EUA vão recuperar o material nuclear existente no país e que o presidente da China, Xi Jinping, "quer ver isso acabar".
"O Irã não terá uma arma nuclear... Se eles não concordarem, não haverá acordo. Nunca haverá", declarou. O pronunciamento aconteceu na Casa Branca, ao lado do Salão Oval.
Agenda econômica
Boletim Focus
A expectativa do mercado para a inflação no Brasil piorou, segundo as projeções do novo Boletim Focus. Para 2026, a projeção subiu para 4,71%, acima do teto da meta do Banco Central, principalmente por causa das tensões no Oriente Médio, que estão elevando o preço do petróleo.
Mesmo assim, a previsão para os juros não mudou: a taxa Selic deve terminar 2026 em 12,50% e 2027 em 10,50%, com expectativa de um pequeno corte já na próxima reunião.
O crescimento da economia (PIB) segue estável:
1,85% em 2026
1,80% em 2027
Já o dólar teve leve queda nas projeções:
R$ 5,37 em 2026
R$ 5,40 em 2027
Mercados globais
Em Wall Street, os principais índices também fecharam em alta. O Dow Jones avançou 0,63%, o S&P 500 subiu 1,03% e o Nasdaq teve ganhos de 1,23%.
Na Europa, os mercados fecharam em queda: o DAX, da Alemanha, recuou 0,26%; o CAC 40, da França, caiu 0,29%; enquanto o FTSE 100, de Londres, registraram baixa de 0,17%.
Na Ásia, as bolsas da China e de Hong Kong tiveram um dia mais instável e fecharam perto da estabilidade após as negociações entre EUA e Irã no Oriente Médio fracassaram.
Com o risco de conflito maior — incluindo a ameaça de bloqueio marítimo pelos EUA — os investidores ficaram mais cautelosos e evitaram fazer grandes apostas, o que limitou os ganhos dos mercados.
Além disso, há expectativa pela divulgação de dados importantes da economia chinesa nos próximos dias, como comércio e crescimento do PIB, o que também deixou o mercado em compasso de espera.
Com isso, o índice de Xangai subiu levemente 0,06%, e o CSI300 avançou 0,21%, recuperando perdas do início do dia. Já o Hang Seng, de Hong Kong, caiu 0,9%.
Outros mercados também recuaram: o Nikkei, no Japão, caiu 0,74%, e o Kospi, da Coreia do Sul, perdeu 0,86%. Taiwan teve leve alta de 0,11%, e Austrália e Singapura registraram pequenas quedas.
Notas de dólar.
Dado Ruvic/ Reuters






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